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Nível 05 — Documentação de Arquitetura

Esta seção trata de como o conhecimento sobre o sistema sobrevive às pessoas.

O problema desta seção

Documentação de arquitetura tem um problema recorrente: ela é produzida, e não é lida.

As razões são conhecidas. Ela é escrita sem leitor definido — para "documentar", não para alguém. Ela descreve o sistema num nível de detalhe que envelhece em semanas. Ela fica num lugar que ninguém visita. E ninguém é dono dela.

O resultado é o pior dos dois mundos: custo de produção e manutenção, sem o benefício — e, pior, um artefato desatualizado que induz decisões erradas em quem confia nele.

O segundo problema é de calibração. O reflexo, quando se percebe que falta documentação, é documentar mais. Frequentemente a resposta certa é documentar menos, e melhor: um diagrama de contexto correto vale mais que quarenta páginas que ninguém confia.

O terceiro é de derivação. Boa parte do que se documenta à mão pode ser derivada do sistema — dependências, topologia, versões, contratos. O que precisa de escrita humana é o que a máquina não sabe: por que as coisas são assim.

O que você vai encontrar aqui

Princípios. O que decide se a documentação vai ser lida: leitor, propósito, nível de detalhe, e onde ela vive.

O modelo C4. Quatro níveis de zoom, e a disciplina de um nível de abstração por diagrama — que é a contribuição dele, mais que a notação. Com a orientação de que os dois primeiros bastam na maioria dos casos.

Os diagramas. Contexto, contêiner, componente, implantação, sequência e fluxo de dados — cada um com o que ele responde e quando não vale a pena.

Visões e descrições. Como organizar a documentação por preocupação de quem lê, em vez de por estrutura do sistema.

Padrões e documentação viva. Como manter, derivar e evitar que envelheça.

Qualidade de diagrama. O que separa um diagrama que comunica de um que polui.

Ordem de leitura

Comece por princípios de documentação — ele estabelece os critérios que o resto usa.

Depois o modelo C4 e, dentro dele, contexto e contêiner. Esses dois diagramas cobrem a maior parte da necessidade real.

Qualidade de diagrama pode ser lido a qualquer momento e é o de retorno mais imediato para quem já produz diagramas.

Deixe documentação viva para o fim: ela reorganiza tudo o que veio antes em torno da pergunta de como isso se mantém.

Ao terminar

Você escreve para um leitor específico, com uma pergunta específica — e descarta o que não serve a nenhum dos dois.

Escolhe o nível de detalhe pelo tempo que ele vai sobreviver, e não pela completude.

Deriva do sistema o que a máquina sabe, e reserva a escrita humana para o que ela não sabe — as razões, os trade-offs, o que foi descartado e por quê.

E reconhece que documentação desatualizada é pior que ausente, porque ela é confiável até o momento em que alguém age sobre ela.

Continua em

Decisões de Arquitetura, onde o registro do porquê ganha forma própria.