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Conceitoavançado

Mapeamento de Capacidades

Visão Geral

Capacidades de negócio descreve o que são e para que servem. Este documento é sobre como construir o mapa — e como evitar os erros que produzem um artefato bonito e inútil.

O exercício parece simples: listar o que a organização faz. Na prática, ele desliza com facilidade para o organograma, para os processos ou para os sistemas — e cada desvio produz um modelo que envelhece rápido.

Problema

Um mapeamento mal conduzido produz um dos três resultados ruins:

Espelho do organograma. As capacidades correspondem a departamentos. Na próxima reorganização, o modelo está errado.

Lista de processos. Verbos em vez de substantivos, e o modelo muda quando o processo muda — que é constantemente.

Catálogo de sistemas com nomes de negócio. As capacidades foram derivadas do que os sistemas fazem, e o modelo apenas renomeia a arquitetura existente.

Os três acontecem porque são o caminho de menor resistência: essas são as estruturas que as pessoas conhecem.

Conceitos Centrais

Comece pelo negócio, não pela TI

O exercício conduzido apenas por tecnologia produz o terceiro erro. As capacidades precisam vir de quem opera o negócio.

O formato que funciona:

entrevistas com líderes de negócio o que a área faz, sem falar de sistemas
oficina conjunta consolidação, com negócio e tecnologia
validação com quem executa as pessoas que fazem o trabalho

A terceira etapa costuma corrigir o modelo: líderes descrevem o que deveria acontecer; quem executa sabe o que acontece.

As perguntas que produzem capacidades

"o que a área faz?" → tende a produzir processos
"o que o negócio precisa
saber fazer?" → produz capacidades
"isso existiria se
mudássemos todos os sistemas?" → testa independência de tecnologia
"isso existiria com outra
estrutura organizacional?" → testa independência de organograma
"isso existia há dez anos?" → testa estabilidade

As três últimas são testes que se aplicam a cada item candidato, e eliminam a maior parte dos erros.

Decompor de cima para baixo

1. as grandes áreas do negócio 8 a 15 itens
2. decomposição de cada uma 5 a 8 filhos por item
3. um terceiro nível onde for útil não uniformemente

O erro de decompor de baixo para cima: começar listando tudo o que se faz e agrupar depois produz categorias artificiais e sobreposição.

E o terceiro nível não precisa existir em toda parte. Ele é útil onde o mapeamento a sistemas exige detalhe — tipicamente nas capacidades diferenciadoras.

Teste de exclusividade e de exaustividade

exclusividade duas capacidades não descrevem a mesma coisa
exaustividade juntas, cobrem o que a organização faz

O teste prático de exaustividade: pegue cinco atividades reais da organização e verifique se cada uma cai em exatamente uma capacidade.

As que não caem em nenhuma revelam lacuna. As que caem em duas revelam sobreposição — e sobreposição é o defeito mais comum, porque duas áreas descrevem a mesma capacidade com palavras diferentes.

O mapa de calor é onde o valor aparece

Um mapa de capacidades sem sobreposição de informação é um diagrama. O que produz decisão:

cor por saúde estado dos sistemas que suportam
cor por criticidade o que para o negócio
cor por diferenciação o que distingue a organização
cor por custo onde o dinheiro vai
número de sistemas onde há duplicação

Ver portfólio de aplicações.

E a combinação mais produtiva: criticidade contra saúde. Ela produz uma lista curta de prioridades que ninguém discute — capacidades críticas suportadas por sistemas ruins.

Quanto tempo, e quando parar

primeiro rascunho 2 a 3 oficinas, algumas semanas
validação 2 a 4 semanas
mapeamento a sistemas 3 a 6 semanas, conforme o tamanho

O sinal de que se está indo longe demais: as discussões passam a ser sobre onde uma atividade específica se encaixa, em vez de sobre o que fazer com a informação.

Um modelo 80% correto e usado vale mais que um 95% correto e discutido por seis meses.

O modelo precisa entrar num processo existente

Um mapa construído para um exercício e arquivado morre. O que o mantém:

usado na discussão de orçamento
usado na priorização de modernização
usado em decisões de construir ou comprar
revisado quando o negócio muda

Se ele não entra em nenhuma decisão recorrente, não vale o custo de manter — e a constatação honesta é que ele não deveria ter sido construído.

Modelo Mental

O mapa vale pelo que se sobrepõe a ele. Construí-lo é a parte fácil; usá-lo é o que o mantém vivo.

Quando Usar

  • Antes de decisões de investimento em tecnologia.
  • Para identificar duplicação entre sistemas.
  • Em programas de modernização.
  • Após aquisições, para comparar organizações.
  • Quando negócio e tecnologia não conseguem conversar sobre prioridade.

Quando Não Usar

Conduzido apenas por tecnologia.

Decompondo de baixo para cima.

Buscando precisão excessiva.

Sem sobreposição de informação.

Sem entrar em nenhum processo de decisão.

Copiando modelo de referência do setor sem adaptar — ele descreve o setor, não a organização.

Alternativas

  • Mapa de fluxo de valor — orientado a processo, melhor para otimizar fluxo de trabalho.
  • Mapeamento de domínios — orientado a fronteiras de software. Ver DDD.
  • Inventário de sistemas — sem a lente de negócio, mais barato.
  • Modelo de referência do setor — ponto de partida, com adaptação.

O último acelera o início e produz um modelo genérico se não for adaptado com rigor.

Trade-offs

Três níveisDois
Detalhe para mapear sistemasMais simples
Mais manutençãoMenos
Conduzido com o negócioSó por TI
Vocabulário compartilhadoRenomeia sistemas
Mais demoradoRápido
Usado em decisão de orçamentoFica na TI

Modos de Falha

Organograma disfarçado.

Processos em vez de capacidades.

Sobreposição. A mesma coisa em dois lugares.

Lacuna. Atividades que não cabem em nenhuma.

Precisão excessiva. Meses discutindo encaixe.

Modelo sem uso. Construído e arquivado.

Erros Comuns

Conduzir sem o negócio. Um mapa desenhado só pela área técnica descreve sistemas com outro nome, e o negócio não se reconhece nele — o que o torna inútil para a conversa que ele existia para ter.

Decompor de baixo para cima. Partir dos sistemas existentes reproduz a arquitetura atual e esconde a capacidade que não é atendida por nenhum sistema — que é justamente a informação mais valiosa.

Não aplicar os testes de estabilidade. Se um item do mapa desaparece quando a empresa troca de ferramenta ou de estrutura, ele não era capacidade; era processo ou sistema com nome de capacidade.

Não validar com quem executa. O mapa validado só com a diretoria descreve como a empresa acha que funciona. Quem executa sabe onde há capacidade informal e duplicada.

Não sobrepor informação. Um mapa sem custo, criticidade ou saúde sobreposta é um organograma de substantivos. As camadas de informação é que fazem dele instrumento de decisão.

Não conectar a um processo de decisão existente. Mapa que não entra no planejamento nem na priorização de investimento é entregue, elogiado e esquecido.

Exemplo Real

Uma empresa de energia conduziu dois exercícios de mapeamento de capacidades com dois anos de diferença.

O primeiro foi conduzido pela área de arquitetura, a partir do inventário de sistemas. Levou três semanas e produziu 84 capacidades.

Ele nunca foi usado. As entrevistas posteriores explicaram por quê: as capacidades tinham nomes que o negócio não reconhecia — elas descreviam o que os sistemas faziam, com vocabulário técnico traduzido.

"Gestão de medições" era o nome de um sistema. O negócio chamava aquilo de "leitura e faturamento", e não eram a mesma coisa: o sistema fazia parte do que o negócio entendia por leitura, e nada do faturamento.

O segundo foi conduzido com as áreas de negócio, em quatro oficinas.

Ele produziu 11 capacidades de nível 1 e 58 de nível 2 — e o vocabulário era o que as pessoas usavam.

Três diferenças de resultado:

Duplicação revelada. A capacidade "atendimento ao cliente" era atendida por cinco sistemas, cada um de uma área, nenhum sabendo dos outros. O primeiro exercício não tinha visto isso, porque cada sistema tinha virado uma capacidade própria.

Lacuna revelada. Uma capacidade que o negócio considerava crítica — "previsão de demanda" — não tinha nenhum sistema. Era feita em planilha, por três pessoas.

Priorização destravada. A discussão de orçamento passou a acontecer sobre o mapa. O negócio conseguia participar, porque reconhecia os nomes.

O mapa de calor de criticidade contra saúde produziu uma lista de seis capacidades prioritárias, aceita sem disputa — o que não tinha acontecido em nenhum ciclo anterior.

O primeiro exercício foi tecnicamente competente e produziu um artefato correto. Ele era um mapa da arquitetura de sistemas com nomes diferentes, e por isso não servia ao propósito — que era permitir a conversa com o negócio.

Conceitos Relacionados

Exercício Prático

Liste cinco atividades reais que a sua organização executa e verifique se cada uma cai em exatamente uma capacidade do seu modelo.

As que caem em duas revelam sobreposição; as que não caem em nenhuma, lacuna.

Perguntas de Entrevista

  • Quais testes eliminam os erros mais comuns de mapeamento?
  • Por que decompor de cima para baixo?
  • Por que conduzir sem o negócio produz um mapa inútil?

Para Aprofundar

  • Ulrich, William; Rosen, Michael. The Business Capability Map. Cutter Consortium, 2011.
  • Open Group. TOGAF Standard — arquitetura de negócio.
  • Ross, Jeanne et al. Enterprise Architecture as Strategy. HBS Press, 2006.
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