Pular para o conteúdo principal

Conceitoavançado

Rede em Nuvem

Visão Geral

Na nuvem, a rede é definida por configuração: você declara faixas de endereços, sub-redes, rotas e regras de filtragem, e elas passam a existir.

Isso muda duas coisas em relação à rede física. Primeiro, a topologia é versionável e reproduzível. Segundo, ela é fácil de errar em escala — uma regra permissiva aplicada por engano vale para tudo que ela alcança.

E há uma terceira, que não tem equivalente em rede própria: o tráfego é cobrado, e por onde ele passa vira decisão de arquitetura.

Problema

Rede costuma ser tratada como detalhe de infraestrutura: cria-se o que o assistente sugere, abre-se o que é preciso para funcionar, e não se volta.

O resultado típico: sub-redes públicas onde deveriam ser privadas, regras que permitem acesso de qualquer origem, tráfego atravessando a internet quando poderia ser interno, e custo de transferência que ninguém consegue explicar.

Cada um desses é uma decisão que não foi tomada.

Conceitos Centrais

Público e privado é a fronteira principal

sub-rede pública tem rota para a internet
balanceadores, gateways — o que precisa ser alcançado
sub-rede privada sem rota de entrada da internet
aplicação, banco, cache — tudo o mais

A regra prática: por padrão, privada. Recursos em sub-rede pública são a exceção, justificada caso a caso.

Isso não é paranoia — é que a alternativa, expor por conveniência e proteger por regra de firewall, transfere toda a segurança para uma configuração que uma pessoa distraída pode afrouxar.

Recursos privados que precisam alcançar a internet — para atualizações, para APIs externas — saem por um gateway de tradução, que permite saída sem permitir entrada.

Grupos de segurança são o filtro que importa

Regras aplicadas ao recurso, não à rede: qual origem pode alcançar qual porta.

Dois princípios que resolvem a maior parte:

Negar por padrão, permitir o específico.

Referenciar grupos, não faixas de endereço. Permitir que o grupo da aplicação alcance o grupo do banco é mais legível e mais robusto que permitir uma faixa — porque continua correto quando os endereços mudam.

A regra que aparece em toda auditoria: acesso administrativo aberto para qualquer origem na internet. Ela costuma ter sido criada "temporariamente".

Ponto de extremidade privado evita a internet

Serviços gerenciados do provedor — armazenamento, banco, fila — têm endereços públicos por padrão. O tráfego da sua aplicação para eles sai da sua rede.

Um ponto de extremidade privado traz esse serviço para dentro da sua rede virtual: o tráfego não passa pela internet, e o serviço pode ser configurado para recusar acesso de fora.

Três ganhos de uma vez: superfície menor, latência ligeiramente menor, e custo de transferência menor.

É uma das configurações de melhor retorno e uma das menos aplicadas.

O custo depende de por onde o tráfego passa

dentro da mesma zona geralmente gratuito
entre zonas cobrado, nos dois sentidos
entre regiões mais caro
saída para a internet o mais caro
por gateway de tradução cobrado por hora e por gigabyte processado

A última linha surpreende: um gateway de tradução processando volume alto pode se tornar um item relevante da fatura, e o tráfego que passa por ele frequentemente poderia ir por ponto de extremidade privado.

Ver arquitetura de custo e zonas de disponibilidade.

Faixas de endereço precisam ser planejadas

Escolher a faixa da rede virtual parece irrelevante até você precisar conectá-la a outra — uma rede corporativa, uma rede de parceiro, uma conta de uma empresa adquirida.

Faixas sobrepostas impedem conexão direta, e a solução envolve tradução de endereços, que complica tudo.

Um plano de endereçamento, definido antes da primeira rede, custa uma tarde e evita migrações.

Resolução de nomes é onde os problemas se escondem

Boa parte dos incidentes de rede em nuvem são de resolução de nomes: zona privada não associada, encaminhamento mal configurado, resolução funcionando de uma rede e não de outra.

Eles são difíceis porque o sintoma é genérico — "não conecta" — e a causa está numa camada que ninguém olha primeiro.

Modelo Mental

Rede em nuvem é configuração com alcance. Uma regra errada não afeta um cabo, afeta tudo que ela descreve.

Quando Usar

Estas decisões aparecem sempre. Atenção especial quando:

  • Há dados sensíveis.
  • Existe conexão com rede corporativa.
  • O volume de tráfego é alto.
  • Vários ambientes ou contas precisam se comunicar.
  • Há requisito de não trafegar pela internet.

Quando Não Usar

Recursos em sub-rede pública sem necessidade.

Acesso administrativo aberto para a internet.

Regras por faixa de endereço quando referência a grupo resolve.

Tráfego para serviços gerenciados pela internet quando há ponto de extremidade privado.

Faixas escolhidas sem plano.

Rede como configuração manual, sem infraestrutura como código.

Alternativas

  • Conectividade privada com a rede corporativa — em vez de expor serviços.
  • Acesso administrativo por serviço gerenciado de sessão — elimina a necessidade de porta aberta.
  • Malha de serviço — para políticas entre serviços. Ver malha de serviço.
  • Ponto de extremidade privado — em vez de gateway de tradução para serviços do provedor.

Trade-offs

Tudo privadoExposição direta
Superfície mínimaMaior
Configuração adicionalSimples
Acesso administrativo indiretoDireto
Custo de pontos de extremidadeNenhum
Gateway de traduçãoPonto de extremidade privado
Alcança qualquer destinoSó serviços suportados
Custo por hora e por gigabyteCusto por hora, menos por tráfego
Tráfego pela internetInterno

Modos de Falha

Recurso exposto sem intenção. Sub-rede pública por padrão.

Regra permissiva temporária permanente.

Faixas sobrepostas impedindo conexão futura.

Custo de gateway de tradução. Volume alto por um caminho caro.

Resolução de nomes falhando de forma específica a uma rede.

Esgotamento de endereços. Sub-rede pequena demais, e redimensionar exige recriar.

Regra de saída ampla. Foco costuma estar na entrada; a saída irrestrita facilita exfiltração.

Erros Comuns

Não planejar o endereçamento. Faixas sobrepostas entre ambientes ou com a rede corporativa impedem interconexão depois, e renumerar uma rede em produção é das operações mais caras que existem.

Deixar recursos em sub-rede pública. Banco e serviço interno com endereço público dependem só do grupo de segurança estar certo. A sub-rede privada remove a exposição em vez de filtrá-la.

Regras temporárias que ficam. A liberação ampla aberta para depurar um incidente sobrevive anos, porque nada expira sozinho e ninguém revisa o que não causa problema.

Não usar pontos de extremidade privados. Sem eles, o tráfego para serviços do próprio provedor sai pela internet — o que adiciona exposição, latência e, frequentemente, custo de saída.

Ignorar o custo do caminho do tráfego. Transferência entre zonas, entre regiões e para a internet têm preços muito diferentes. Uma arquitetura que atravessa zonas sem necessidade paga isso em toda requisição.

Não restringir tráfego de saída. Quase todo mundo filtra entrada e libera saída — e a saída é o caminho da exfiltração e do contato com servidor de controle.

Exemplo Real

Uma empresa de comércio eletrônico teve três problemas de rede que apareceram em momentos diferentes e tinham a mesma origem: a rede fora criada pelo assistente padrão, três anos antes.

Banco exposto. O banco estava numa sub-rede pública, com uma regra que permitia acesso da faixa de escritório. A faixa tinha mudado no ano anterior, e a regra fora ampliada para "qualquer origem" para destravar um acesso — temporariamente. A descoberta veio de uma varredura externa contratada.

Custo de tradução. A aplicação lia e escrevia grandes volumes num armazenamento de objetos, e todo esse tráfego passava pelo gateway de tradução. O item era o quarto maior da fatura, e ninguém sabia o que era. Um ponto de extremidade privado reduziu isso em cerca de 90%.

Aquisição bloqueada. A empresa adquiriu outra, e as duas redes usavam a mesma faixa de endereços. Conectá-las diretamente era impossível. A integração levou quatro meses a mais que o previsto, com tradução de endereços em ambos os lados.

As correções, além das específicas:

Plano de endereçamento para toda a organização, com faixas reservadas por ambiente e espaço para aquisições.

Sub-redes privadas por padrão, com exposição exigindo aprovação.

Acesso administrativo por serviço de sessão gerenciado, sem portas abertas.

Regras de saída restritas aos destinos necessários.

Rede como código, com revisão. Regras temporárias passaram a ter data de expiração obrigatória.

O que a equipe registra: nenhum dos três problemas era difícil de evitar. Todos vieram de a rede ter sido tratada como pré-requisito a resolver rápido, e não como parte do desenho.

Conceitos Relacionados

Exercício Prático

Liste os recursos que estão em sub-rede pública hoje e pergunte, para cada um: ele precisa ser alcançável da internet?

Depois procure regras que permitem acesso de qualquer origem. Cada uma tem uma história, e quase todas começam com "temporariamente".

Perguntas de Entrevista

  • Por que sub-rede privada deveria ser o padrão?
  • O que um ponto de extremidade privado resolve, e o que ele economiza?
  • Por que o plano de endereçamento importa antes da primeira rede?

Para Aprofundar

  • Documentação de rede virtual dos principais provedores.
  • NIST SP 800-207 — arquitetura de confiança zero.
  • Rice, Liz. Container Security. O'Reilly, 2020.
Terminou de ler este documento?Seu progresso fica salvo apenas neste navegador.